Curso de Linux Básico – Parte 10
Chegamos ao capítulo final do nosso curso de Linux Básico. Hoje vamos trabalhar com TPC/IP e configuração de rede.
Antes de iniciarmos a configuração da rede, precisamos dar uma olhada no protocolo utilizado para entrega de pacotes na rede. Este protocolo é o TCP/IP
A atual implementação do protocolo TCP/IP (IPv4) usa os identificadores de 4 bytes (32 bits) (chamados também endereços de IP) para endereçar os hosts.Estes endereços IP são únicos em nível mundial. Para atingir esse objetivo, sua administração é delegada a um organismo central, o InterNIC, que designa grupos de endereços diretamente aos sites que queiram ligar-se à Internet ou aos provedores que os redistribuirão aos próprios clientes.Para configurar uma rede privada doméstica basta “inventar” os próprios endereços privados, como se explica à frente. Para conectar a própria máquina à Internet, todavia, é necessário obter um “verdadeiro” endereço de IP do próprio administrador de rede ou do provedor.
Existem classes de redes, utilizadas para definir quantas máquinas e quantas sub-redes podemos utilizar.
• Class A (/8): netmask default: 255.0.0.0, primeiro byte do endereço: 1-127
• Class B (/16): netmask default: 255.255.0.0, primeiro byte do endereço: 128-191
• Class C (/24): netmask default: 255.255.255.0, primeiro byte do endereço: 192-223
Caso tenhamos 2 máquinas com o primeiro byte igual sendo da classe A, essas duas máquinas estão na mesma sub-rede. Em redes classe B, serão os dois primeiros bytes. Em redes classe C serão os três primeiros. Ou seja, todas essas máquinas estão na mesma sub-rede:
• 10.0.0.1, 10.1.0.2,10.0.2.55
• 160.0.2.1, 160.0.3.1, 160.0.2.2
• 200.199.2.3, 200.199.2.4, 200.199.2.228
Então poderíamos ter a nossa rede interna com IP’s na rede 10.0.0.0, mas para acessarmos outras redes, como a rede da Internet, por exemplo, teremos que utilizar um roteador.
O roteador é uma máquina que tem rotas para outras redes, possibilitando assim que máquinas da rede interna acessem outras redes. O roteador fica no fim da rede recebendo pacotes que são destinados a redes externas e gerenciando o retorno destes pacotes.
Um outro serviço muito importante na rede é o DNS. Esse serviço resolve nomes de IP’s. Ou seja, ao invés de decorarmos IP’s de máquinas, podemos apenas lembrar o nome delas, como vidalinux.com.br por exemplo.
Ao acessarmos uma máquina, fazemos isso sempre por IP, mas que tem a responsabilidade de transformar esse IP em nome é o servidor DNS.
Configurando a Rede
O Linux, sendo um verdadeiro filho da Internet, oferece todos os recursos necessários à conexão a múltiplas redes. Todas as ferramentas comuns de interconexão em rede estão disponíveis no Linux, permitindo assim que máquinas Linux façam parte de qualquer rede.
O Linux suporta quase todos os tipos de placa de rede (Ethernet, ArcNet, TokenRing) e conhece quase todos os protocolos de rede (TCP/IP, AppleTalk, IPX). Iremos discutir o caso genérico (integração do Linux a uma rede TCP/IP através de uma placa ethernet). A última informação sobre outras redes é encontrada no diretório Documentation dos fontes do kernel. A função help do kernel fornecerá informações adicionais úteis.
Requisitos e trabalhos preliminares
Os seguintes requisitos devem ser satisfeitos:
• Sua máquina deve possuir uma placa suportada. Uma vez que ela seja inicializada corretamente, ela pode ser vista com o comando seguinte:
# cat /proc/net/dev
• Deve haver uma linha começando com eth0.
• O kernel deve ter sido corretamente configurado para utilizar rede.
Se o suporte do kernel usa módulos, o nome do módulo deve ser colocado em /etc/conf.modules. Para a sua primeira placa ethernet, isto pode ser visto como:
alias eth0 tulip (tulip é o módulo da placa de rede instalada)
Isto é feito automaticamente se você selecionar o módulo de rede durante a instalação. Existem algumas coisas a serem pensadas antes de iniciar a configuração de sua máquina:
| Hostname | O nome da sua máquina na rede. O hostname não deve exceder 8 caracteres e não deve estar em uso na rede local. | ||||||||||||
| Endereço IP | O endereço de sua máquina na rede. Cada máquina deve obter pelo menos um endereço IP. Este endereço é uma palavra de 32 bits e, na maioria dos casos, é dado como uma quádrupla (por exemplo, 193.141.17.1).Ao escolher um endereço IP, você deve considerar se planeja conectar-se à Internet em um futuro próximo. Se for, recomenda-se utilizar um IP registrado desde o início. Se você possui apenas uma rede local privada, há algumas faixas de endereços definidos pelo pseudo-padrão RFC1597 assegurando que, mesmo que algum destes endereços “escape” para a Internet, isto não causará nenhum dano. Os endereços privados são mostrados abaixo:
Alguns endereços IP não são destinados a computadores, mas tem funções especiais. Por exemplo, o endereço 192.168.0.0 representa a rede em si, e 192.168.255.255 é o endereço de broadcast a qual pertence. |
||||||||||||
| Nome do domínio | O nome do domínio ao qual sua máquina pertença. Domínios ajudam a estruturação de redes grandes (por exemplo, a Internet). Um computador é endereçado através de seu nome completo, que é formado por um hostname e por um nome do domínio. Gauss.Suse.de é a máquina Gauss no domínio Suse.de. | ||||||||||||
| Endereço do Gateway | Se o computador tiver necessidade de acessar outra rede, você pode fornecer o endereço do gateway (um computador ou equipamento de rede que está conectado a mais de uma rede e que é capaz de transportar pacotes de uma rede para outra) durante a configuração da sua rede. | ||||||||||||
| Máscara de Rede | Através da máscara de rede fica claro a qual rede pertence uma máquina.O endereço IP é somado à mascara de rede por um E lógico. Assim, a parte do host é extraída, sobrando o endereço de rede como resultado. | ||||||||||||
| Endereço do Servidor de Nomes | Servidores de nome provêem DNS (Domain Name Service) para transformar hostnames em endereços IP. Se há um servidor de nome alcançável na rede e você deseja utilizá-lo por default, forneça o número IP dele durante a configuração da rede. |
Em seguida, falta fazer a configuração da rede. A melgor opção para fazer a configuração manualmente é usar o ifconfig:
# ifconfig eth0 192.168.0.10 netmask 255.255.255.0 up
(este configura o endereço IP e a máscara de sub-rede. O “up” serve para ativar a rede)
# route del default
# route add default eth0
(para ter certeza que o sistema tentará acessar a net usando a placa eth0
# route add default gw 192.168.0.1
(aqui vai a configuração do gateway da rede)
Verifique também se o arquivo /etc/resolv.conf contém os endereços DNS do provedor, como em:
nameserver 200.219.150.4
nameserver 200.219.150.5
A falta dos endereços no /etc/resolv.conf é provavelmente a causa mais comum de problemas com a navegação. Para que estes comandos sejam executados durante o boot, re seja restaurada a configuração, coloque-os no final do arquivo /etc/rc.d/rc.local:
#!/bin/sh
#
# /etc/rc.d/rc.local: Local system initialization script.
#
# Put any local setup commands in here:
ifconfig eth0 192.168.0.10 netmask 255.255.255.0 up
route del default
route add default eth0
route add default gw 192.168.0.1
Com isso terminamos o nosso curso básico. Espero que vocês tenham gostado.
Índice de Curso de Linux Básico
- Curso de Linux Básico – Parte 1
- Curso de Linux Básico – Parte 2
- Curso de Linux Básico – Parte 3
- Curso de Linux Básico – Parte 4
- Curso de Linux Básico – Parte 5
- Curso de Linux Básico – Parte 6
- Curso de Linux Básico – Parte 7
- Curso de Linux Básico – Parte 8
- Curso de Linux Básico – Parte 9
- Curso de Linux Básico – Parte 10
